sábado, março 18, 2006

cartas...



numa vontade de te ver
na vulgar noite vazia
onde espero sentada sem sono
vejo o papel, olhar para mim
o mesmo que tantas vezes enviei
como a pedir-me, para te escrever

num entreabrir dos meus olhos
onde escorriam lágrimas
de saudade,
deixo arrastar comigo o desejo
de sede de ti, no deambular deste silêncio

procuro cartas que outrora escrevi,
cartas onde o nosso amor
esteve sempre presente,
tal como hoje,
apesar de distantes
onde a saudade tinha sempre o nosso nome

escrevi-te de novo
para te enviar a minha mão,
entregar meus lábios
dizer-te que o nosso amor ainda perdura
e me sinto de novo especial,
nesta carta que só tu percebes

e nasceu a carta, mesmo sabendo
que pode ser imaginária…

l.maltez

quinta-feira, março 16, 2006

M A N I A S . . .

A Menina Marota pregou-me uma partida “quer” que coloque as minhas manias, para ser julgada em praça pública

se alguém for juiz peço a pena leve, assim como uma pena de um passarito que adoro escutar todas as manhãs ao acordar

mas vamos às manias antes que o dia dê meia volta


sim sou pestinha e muito, devido à banda desenhada que ainda hoje leio e detesto ter que responder a questionários

vou ordenar as tais manias

1ª - tendo a mania de ir ver todos os dias o mar, tenho que o ir ver seja dia ou noite, faça sol ou chuva, sou dependente dele, ou ele de mim, não sei bem...




2ª - durmo de luz acesa, não gozem, mas é verdade, detesto acordar de noite e sentir que o quarto está às escuras

3ª - adoro colecionar esferográficas, de várias cores, gosto de usar cores em tudo, defeito de escola certamente


4ª- gosto de conduzir e muito, se nenhum policia ler, eu digo que algumas vezes tenho o “pé pesado” no acelerador, a velocidade sempre me apaixonou

xiiiii falta a última ainda bem, antes que vá presa

5ª - sou viciada em blogs, leio visito “n” blogs por dia mesmo que não comente, porque adoro ler a diversidade que muitos têm e são


ufa acabou

agora a quem passar? é a pior parte, vai ser a todos os que se dignem desvendar um pouco, de si mesmo que como eu o detestem, vamos lá ver a coragem...


Menina Marota, já está e pela tua simpatia e porque gosto de ti e do teu cantinho, respondi, se algo me acontecer tens que me socorrer, porque eu grito por ti, eu tenho mais mas só pediste cinco, eu sou realmente “pestinha”

e para não ficar às escuras prendi a luz:

sexta-feira, março 10, 2006

saudade...



lapidei sentimentos
que tocaram ao som de Vivaldi

perfurei memórias maltratadas
onde os olhares se moveram

desordenei trémula as emoções
que surgiam da brisa do mar

apressei a noite simulando utopias
onde ecoaram ironias amargas

pressenti o mar orgulhoso
sedento de um corpo etéreo

senti a dor turbulenta
encolhida no interior dos desejos

diluí o limite da mágoa
irrequieta nos passos defendidos

contornei errante a imagem
e vi-te chegar gasto de vícios

ávida abri-te a porta da madrugada
e em silêncio toquei-te de paixão

embarcamos juntos no enlouquecido desejo
onde a saudade tinha o teu nome

e cai a noite sob a nudez de dois corpos...

l.maltez

sábado, março 04, 2006

silenciosa...



profundamente silenciosa
de gestos visíveis,
condenados à insolência
e desconhecimento do tempo
subitamente, recuei
onde amarrei a vida
inacessível

cantei tristezas
pelas ruas mudas de testemunhas
onde a possibilidade de morrer
me chamava em cada esquina,
cansada de tanto, ter abandonado à solidão
a quem suplicava oscilante de desejos
o sabor do meu corpo

esqueço-me de tudo
na certeza que tudo se apagará,
no momento da morte
de uma noite impregnada de vícios,
ardida em suicídios, do destino
onde a visão dos olhares se mordem
no rodopiar das ilusões

imóvel, invento sonhos
em palavras amarelecidas sem brilho...


l.maltez

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

um toque...


navegar na tua boca
húmida
de sabor a sal

impregnada
estremeço lírica
no terror dos arrepios

uso a manhã crispada,
renasço todos os dias
vestida de frio

avanço entre sombras andantes
antes de envelhecer
onde as palavras caminham

queria tremer
sentir furiosamente
um toque de uma boca ...

l.maltez

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

dou ...



dou-te o tudo e o nada!
a lonjura da minha
íngreme estrada,
as auroras
que há no mundo,
os solstícios e equinócios
meus sonhos
em horas d'ócio,
dou-te as argentinas pérolas
das chuvas de verão,
os cristais translúcidos
que nevam em meu coração,
as ondas dos mares do sul
dos meus desejos!

dou-te as brisas austrais
por entre beijos,
o verde das florestas
luxuriantes
palavras de mel,
mais reais que no papel,

se este for o preço
para pôr um sorriso em tua boca
então,
...meu amor, minha vida,
valerá a pena gritar teu nome
até ficar rouca!

valerá então amar-te como uma louca
porque viver sem ti
é coisa pouca...

l.maltez

sábado, fevereiro 18, 2006

teu olhar no meu...



toquei na noite,
desci em silêncio até ao mar,
numa aparência frágil de felicidade
senti o teu olhar, no meu
inquieto de incertezas,
vagueando sem limites
na sombra,
despejei palavras
que flutuaram no tempo,
palavras que se deixaram
arrastar pela corrente
como gemidos,
e caio contigo
num suave sonho
que persegue a solidão,
os teus olhos dão-me de novo um sinal,
sinto um murmúrio perto de mim
reconheço a tua voz
em músicas simuladas
e serenamente ambos
conseguimos dizer
amo-te ...

l.maltez

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

a imagem do inverno



cruzei-me contigo ontem no denso granizo da noite, a dureza do dia transformou secamente o rosto gasto dos silêncios das sombras. lembra-me o teu nome invernoso, negro e pesado, o vicio onde transformei as mãos amarelecidas e secas de tanto fomentar. não grites, já não te ouço, a tua voz é um eco delicioso eterno no silêncio das noites misturadas, a solidão é cega e fria.

falta-me o túnel do sono invencível. entras na companhia do vento inconcusso, um vento indiferente. os dias chegam ausentes, agasalhados nas asas de nuvens cinzentas, desarrumadas de imagens, ninguém corrompeu o sentimento do teu tempo e tu voltas sempre no mesmo dia à mesma hora.

guardo a imagem do sonho turbulento. o sonho que parece ser real, o ranger das portadas de madeira, o fragor dos vidros, onde escuto o crescer da maré, dobrado no arrepio ameaçador do inverno. a insistência em ficares envolvido nos tons cinzentos de olhar ameaçador, afogado nas águas estagnadas. guardo a solidão dos dias que trazes, sem tons, indecisos e repisados.

empurra-me deste frio que desanima e arrefece o corpo, deste inverno que me cansa.

l. maltez

sábado, fevereiro 04, 2006

imagina!



imagina a madrugada,
e
um céu sem estrelas
ou a noite fria sem luz

sim imagina,
a luz de um farol,
os olhos de alguém que amou

imagina o destino,
o que passou e não se cumpriu
a inesperada hora de felicidade
numa breve noite de amor

sim imagina,
a ternura dos apaixonados
abraçados na sombra esquecida,

imagina o frio,
ou o calor caminhando lado a lado,
uma porta que não se abriu
por uma vida que os separou

sim imagina,
a ausência de uma loucura
uma mão que te diz adeus,
aves que bailam a voar

imagina o silêncio,
a melodia de um instante
o tempo que nunca é longo

sim imagina,
que tu e eu seremos o imortal sentimento!


l.maltez

sábado, janeiro 28, 2006

pinto-me na tela ...




despi-me de mim
para me pintar mulher
não penso
para existir
no centro
da vida
e pinto-me na tela
com rosto de solidão

transbordo emoções
momentos escondidos,
nesta ilusão criada no coração

E se por algum motivo
os meus braços forem pequenos
para te abraçar
o mar e o teu sorriso
estarão comigo, tenho a certeza
na manhã que tarda
em acontecer...


l.maltez

sábado, janeiro 21, 2006

página em branco ...




parti o tempo
entre madrugadas

o meu sentir virei-o
para o mar
numa ânsia de partir

enchi noites de horror
e vidas amarguradas
entre melancolias
de paixões esquecidas

dei o dia
às palavras
que deslizaram no corpo
desfeitas em loucuras

cortei a veia
para sentir a emoção da dor
lentamente, dentro da solidão

espantei a lágrima
salgada que beijava a boca

escrevi azul
até acabar a tinta,
sentindo o vento
tocar nas feridas

deixei páginas brancas
para soletrar a vida

sem aviso ordenei idéias
e fechei os olhos...


l.maltez

sábado, janeiro 14, 2006

ilusão ...



vou construir uma cabana
para lá podermos morar
eu e tu...
... eu e tu, sem mais ninguém

...que venha depois o tempo
destruir a minha ilusão
da minha cabana isolada,
e venha o "mundo", também,
e que me peçam explicação
deste meu procedimento!

vou construir uma cabana
e dela fazer o refugio
de toda a minha poesia!
...e vai ficar isolada,
mas bem pertinho do mar
assim podemos escutar
o sussurro da maré,

vou construí-la!
tenho fé,
na minha cabana isolada

mas se tu não concordares
e esboçares uma ironia?

mesmo assim,
podes crer, eu irei
construir a minha cabana
e sozinha lá ficarei...
mesmo que tu não vás

...porém estarás comigo,
na sombra duma saudade
e num eco de amizade;
tua voz será a minha.
não é um sonho belo?!
pensa nisto e acredita,

vou construir uma cabana!

l.maltez

sexta-feira, janeiro 06, 2006

sede de ti...


vejo o teu rosto
no sorriso da água
e é inesgotável a sede
que sinto de te ver

esvazio o corpo,
num mar de palavras
limito-me sentir,
a brisa chegar em silêncio,
no início duma manhã
que nos abrace

o mundo não parou
e num breve olhar,
peço-te ajuda
para a minha decisão

já nada existe para além
de nós!

l.maltez

quinta-feira, dezembro 29, 2005

começa em ti ...


começa em ti, tudo o que se sente
como o aroma de mar sem fim
numa ausência que não é indiferente
no sol que vem de ti e se liga a mim

apoio-me taciturna nas palavras
num reunir obscuro de desejos
vacilando nua, em marés passadas
confusa, ávida de sabores e medos

desfaz-se o sonho começado em ti
transformo as razões, em riscos
nas mãos, desfaz-se o que senti
na voragem de leves sorrisos

começa em ti, tudo o que se sente
o aroma, o mar, a ausência do fim
memória mágica e dormente
da noite que corrói e vagueia em mim

e acaba em mim...

l.maltez

quinta-feira, dezembro 22, 2005

Instantes


olhar
por um caminho único
os estragos amenos
da sede dos rostos,
da fome dos corpos
olhar o instante
que atravessa o crepúsculo,
passo a passo

os olhos jazem
sem peso ou espaço,
sem qualquer razão
nem vestígio de tempo,
só nostalgia
a vaguear em ondas

a vista diz um nome
perpassa a palavra viva,
entre silêncios densos,
e acaba por amarar
onde o desejo acorda
leve e cúmplice
como um suspiro

olhar... único, o meu
um norte
um anseio terminal
abarcar o teu!


l.maltez

neste instante que as horas se aproximam a passos largos deixo-vos o meu desejo de um Feliz Natal a todos
“Leio o teu nome
Na página da noite:
Menino Deus ...”
...
Miguel Torga

sexta-feira, dezembro 16, 2005

por isso te quero muito...



cruzei-me, nas palavras
da outra voz que fala
de promessas intensas,
cruzei-me, nos passos
dividida entre impulsos
de transparentes desejos,

nas noites corroídas
inventei-te,
em silêncio sôfrega de emoções,
e envolvi-te
em abraços separados
entre o fulgor do teu olhar

imaginei-te do nada,
entre vozes cantantes
de um inspirado rigor,
imaginei-te dentro delas
entre melodias de Chopin
longe da minha sombra

adormeci
e
descansei o meu corpo no teu


l.maltez

sábado, dezembro 10, 2005

caminho e espero por ti...



caminho!

caminho
e sem destino,
ao longe nada se avista
que busco neste passo lento?
lento, desastrado, mas decidido
onde o silêncio é medonho

caminho
é longo o percurso,
faz frio e o vento é violento
tudo se torna indefinido, confuso
que busco exausta entre penumbras?
procuro um silêncio remexido

cansada de tanto andar,
chego ao fim, para te ver
escuto, olho e em vão te procuro
em silêncio, quero teus passos reconhecer.
vejo-te ou serás uma sombra,
uma sombra que sinto esvaecer

que importa a dor que sinto,
deixa-me assim
chorar, devagarzinho
sofrer a incerteza que pressinto

estou junto a ti, sem o sentires
guardo para mim o lamentar
de não te ver chegar, meu amor


l maltez

domingo, dezembro 04, 2005

dias de espera




faz de conta que o tempo voou. estrangulou o dia, rasgando
caminhos confusos da cidade invisível. depois enrosca-te na
penumbra, afasta as sombras gravadas misteriosamente e entre
insónias de horas perdidas, esquece-me pouco a pouco. desfaz as
memórias e vai secando as ideias, encharcadas do perfume

debruça o olhar no presente, abre a janela e engole as luzes das
noites. saboreia cada sussurro oculto, nas horas que ouves na
grande solidão. adormece na inquietude das paredes brancas,
cheias de falsos sonhos, enquanto fugirei de mim silenciosamente.
desce de novo os teus olhos, ao fascínio ardente da água teimosa,
do mar que nos fez sentir vivos, numa prolongada espera.

é então tempo de caminhar, voar no esquecimento das emoções,
partir sem som.

l.maltez

segunda-feira, novembro 28, 2005

um passo em palavras



dá um passo
vem a mim
faz(-te) por mim
o pleno
da palavra
doce e terna
dá-me
o broto
límpido e feliz
da tua boca
como sempre fazes
para me encantar.

...só mais um passo
vem a mim
Já não sei temer
o teu achego.

... outro passo,
vem!
... tão só
como te é dado ser.
Já não temo
já não ouço
o uivar
dos meus medos.

sei que amo
esse passo
que dás para mim.


l.maltez

terça-feira, novembro 22, 2005

desenho com palavras o arco íris

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escrevo, nas folhas gastas da memória
amarelecidas, pela secagem
de um tempo
cansado

escrevo, com tinta fresca
para te sentir presente,
quando o sol
despontar

escrevo, no meu próprio sono
como se fosse voragem
sonhando nos teus braços
apressada

escrevo, nas estrelas
os teus olhos brilhantes
os espaços que damos em insónias
perigosas

escrevo, na chama cortada
por uma voz escutada,
entre os nossos olhares
cúmplices

escrevo,
perco-me em ti
e não trago mapa


l.maltez